O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva — o maior patamar da taxa básica de juros desde julho de 2006, quando era de 15,25%. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado.
Sinal para março
Na ata da reunião, o Copom confirmou que pretende iniciar o ciclo de redução dos juros na reunião marcada para os dias 17 e 18 de março de 2026, condicionado a dois fatores:
- A inflação se manter dentro do intervalo de tolerância da meta
- Ausência de surpresas no cenário econômico externo
O comitê ressaltou, no entanto, que mesmo após o início dos cortes, os juros serão mantidos em níveis restritivos por um período prolongado, até que a inflação convirja de forma sustentada para o centro da meta.
Projeções do mercado financeiro
De acordo com o Boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central com as expectativas de instituições financeiras:
- Selic no fim de 2026: 12% ao ano
- Selic no fim de 2027: 10,5% ao ano
- IPCA em 2026: 3,95% (dentro da meta de 3% ± 1,5 p.p.)
- PIB em 2026: crescimento de 1,82%
Impacto no eleitor e nas eleições
A taxa Selic elevada tem impacto direto no dia a dia dos brasileiros: crédito mais caro, financiamentos imobiliários inacessíveis para uma parcela da população e pressão sobre empresas. Economistas apontam que a percepção econômica negativa contribui para a queda na aprovação do governo Lula nas pesquisas de intenção de voto.
O início dos cortes em março pode dar algum alívio ao governo antes das eleições de outubro, mas analistas do UBS alertam que o segundo semestre será dominado pelas incertezas do calendário eleitoral.