O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira o resultado consolidado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025: crescimento de 2,3%, impulsionado principalmente pela agropecuária e pelo consumo das famílias, mas bem abaixo dos 3,4% registrados em 2024 — o melhor resultado desde 2021.
Dois semestres muito distintos em 2026
Para 2026, a expectativa dos analistas é de dois semestres com dinâmicas opostas:
Primeiro semestre: mais favorável, impulsionado pelo início do ciclo de cortes na taxa Selic, estímulos fiscais do governo (como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil) e a força do agronegócio.
Segundo semestre: marcado pela incerteza eleitoral. “Como é ano eleitoral, os estímulos do governo devem ficar concentrados no primeiro semestre. E no segundo semestre tem desaceleração, porque no último trimestre tem efeito-espera dos agentes econômicos, esperando para ver o cenário eleitoral”, avalia Rafael Perez, economista da Suno Research.
Projeções do mercado
- PIB 2026: entre 1,8% e 1,9% (consenso do Boletim Focus)
- Inflação (IPCA): 3,95% — dentro da meta de 3% ± 1,5 p.p.
- Taxa Selic (fim de 2026): 12% ao ano
- Dólar (fim de 2026): R$ 5,50
- Ministério da Fazenda: projeta crescimento mais otimista de 2,3%
Impacto do conflito no Oriente Médio
A escalada militar no Oriente Médio — com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã — adiciona incerteza ao cenário. O impacto sobre preços de combustíveis pode pressionar a inflação e levar o Banco Central a ser mais cauteloso no ritmo de cortes de juros.
Por outro lado, economistas destacam o potencial benefício para o Brasil: com câmbio depreciado e alta demanda global por commodities, as exportações de produtos agrícolas e petróleo podem crescer significativamente.