Conflito no Oriente Médio impõe cautela ao BC, mas pode impulsionar exportações do agro

A escalada militar no Oriente Médio — com ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra instalações do Irã — está no centro das análises econômicas brasileiras nesta semana. O conflito traz riscos e oportunidades para o Brasil, dependendo de como a situação evoluir nas próximas semanas.

O risco: petróleo e inflação

O principal temor dos economistas é a interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. Qualquer perturbação nessa rota poderia elevar os preços globais do combustível e pressionar a inflação no Brasil e no mundo.

Para o Banco Central, o cenário impõe cautela adicional: mesmo com a sinalização de início de cortes na Selic em março, uma escalada do conflito poderia forçar uma pausa ou redução no ritmo do afrouxamento monetário.

A oportunidade: commodities brasileiras

Por outro lado, economistas destacam o potencial benefício para a economia brasileira. “Num cenário de guerra, o Brasil é quem alimenta o mundo e, agora com câmbio mais depreciado, a gente fica cada vez mais atrativo”, afirma Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay.

As exportações de soja, milho, carne e petróleo — pilares da balança comercial brasileira — tendem a se valorizar em cenários de instabilidade geopolítica global. Em 2025, o agronegócio respondeu por mais de 50% das exportações totais do país.

Impacto nas eleições

O cenário externo conturbado adiciona mais uma variável ao já complexo quadro eleitoral de 2026. Economistas do banco de investimentos UBS destacam que o ano será “binário”: ventos globais favoráveis no primeiro semestre e incerteza crescente no segundo, conforme o debate eleitoral ganhe intensidade.

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